Os efeitos do Tabaco na Saúde Oral

Existe uma ideia generalizada de que os efeitos nocivos do tabaco sobre a nossa boca se limitam a manchas nos dentes e ao aparecimento de halitose (mau hálito), no entanto a realidade é bem diferente. Na verdade, podemos dizer que estas são as consequências menos graves e que os maiores problemas estão nos efeitos menos visíveis.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em Portugal, a taxa de fumadores entre a população adulta situa-se entre os 20% e os 25%. Estima-se que a percentagem de mortes causadas pelo tabaco seja entre 10% a 12% do total de óbitos registados em Portugal.

Por muito boa que seja a sua higiene oral, esta não pode impedir os efeitos negativos do tabaco. Para um fumador, a boca é um dos locais onde os efeitos nocivos se manifestam mais claramente, uma vez que é a principal porta de entrada do fumo no organismo.

O tabaco, seja de enrolar ou de mascar, é altamente prejudicial para a nossa saúde em geral e para a saúde oral em particular. A nível oral, o efeito mais grave em consequência do consumo de tabaco é o cancro oral, mas existem muitos mais doenças causadas pelo tabagismo.


Quais as consequências do tabaco na Saúde Oral?


São variadas as consequências do tabaco na nossa saúde oral e mesmo no nosso bem-estar:

  • Coloração dos dentes - Os dentes de um fumador tornam-se amarelados devido à nicotina e ao alcatrão que se depositam na superfície dentária.
  • Halitose (ou mau hálito) - Os componentes nocivos do tabaco provocam o aparecimento de halitose ou acentuam as manifestações desta condição. Além do característico odor, o tabaco aumenta a secura e irritação das mucosas da boca e das vias respiratórias, causando uma oxigenação deficiente e consequentemente o aparecimento do mau hálito.
  • Alteração do sentido do gosto e do olfato - O tabaco, principalmente em grandes quantidades, altera a perceção dos sabores e odores. A perda do sabor salgado é mais acentuada o que conduz muitas vezes a um consumo excessivo deste condimento e ao consequente aparecimento de outros problemas de saúde, como a hipertensão arterial.
  • Aumento do risco de periodontite - O consumo do tabaco altera os tecidos da cavidade oral. A presença das substâncias nocivas, nomeadamente a nicotina, levam a uma destruição dos tecidos de suporte do dente, doença periodontal. Devido à redução da irrigação sanguínea provocada pela vasoconstrição do tabaco os sintomas da doença acabam por ser mascarados e não se torna evidente a inflamação das gengivas ou as alterações de cor, tendo por consequência o diagnostico tardio da patologia da periodontite.
  • Diminuição da taxa de êxito nos tratamentos - O tabaco sendo um vaso constritor diminuiu a irrigação e consequentemente altera a cicatrização dos tecidos, podendo influenciar no sucesso dos tratamentos. Na colocação de implantes dentários, os fumadores podem ter uma capacidade de osteointegração (fixação do implante no osso) diferente e que pode ficar ainda mais comprometida se já existir histórico de periodontite, muito comum entre a população fumadora.
  • Propensão para o aparecimento de cáries bacteriana - Ao diminuir o fluxo salivar o tabaco impede a neutralização dos ácidos provenientes dos alimentos estando assim a superfícies dentária exposta mais tempo à ação da placa bacteriana e aumentando o risco de cárie dentária. E, também, uma vez que afeta os tecidos gengivais, provocando recessões da gengiva e consequentemente exposição das raízes dos dentes, os fumadores têm uma maior propensão a cáries radiculares.
  • Cancro oral - O tabaco contém um elevado número de substâncias cancerígenas e, especialmente quando associado ao álcool, aumenta de forma considerável o risco de sofrer de cancro oral. É uma forma de cancro com elevada mortalidade uma vez que normalmente são diagnósticos tardios e já em estádio avançado. Se é fumador realize regularmente o autoexame do cancro oral, se tem dúvidas consulte o seu médico dentista.

Se tiver alguma dúvida sobre os efeitos do tabaco nos seus dentes e gengivas, não hesite em consultar um médico dentista, que será o melhor clínico para o ajudar nesta matéria.

Os efeitos do Tabaco na Saúde Oral


Sou fumador. Como mantenho a minha Saúde Oral?


Os fumadores devem ter especial atenção à sua higiene e saúde oral. Se idealmente a frequência de escovagem é duas a três vezes ao dia, no caso do fumador deverá escovar ainda com maior frequência. Deve completar ainda com o uso de fio dentário e de um elíxir oral. No final da escovagem é também fundamental a higiene da língua para eliminar as substâncias que se acumulam na língua, evitando assim também o mau hálito e prevenindo o aparecimento de cárie e outros problemas dentários.

Visite o dentista de 6 em 6 meses


Se é fumador(a) aconselhamos vivamente a que marque uma consulta de medicina dentária ou de higiene oral de 4 em 4 meses. Estas consultas são importantes ao nível de prevenção, possibilitando uma higiene oral mais profunda e controlando fatores de risco como o desenvolvimento da periodontite ou o rastreio do cancro oral. Durante a consulta o médico dentista tanto ao nível da saúde oral como da aparência estética, através da aplicação de branqueamentos dentários e revisões para controlar o desenvolvimento da periodontite.

Deixar de fumar



O melhor conselho para eliminar os efeitos negativos do tabaco será sempre deixar de fumar. No entanto, se ainda não se sente preparado(a), uma das formas de melhorar a sua saúde oral enquanto fumador(a) será diminuindo a quantidade de cigarros consumidos por dia.

Os cigarros eletrónicos prejudicam a Saúde Oral?


Existe a ideia generalizada que os cigarros eletrónicos são mais saudáveis que o tabaco, mas na realidade esta ideia está totalmente errada. Os cigarros eletrónicos tornaram-se muito populares nos últimos anos, em especial entre os mais jovens. No entanto, ao contrário do que muitos acreditam, estão longe de ser inócuos.

Para começar, os cartuchos utilizados nos cigarros eletrónicos contêm nicotina. A nicotina é uma das substâncias que mais influência a diminuição das defesas naturais para combater as doenças gengivais, ataca a saúde dos vasos sanguíneos e reduz a capacidade de resistência às bactérias. As doenças que mais podem afetar os consumidores habituais de cigarros eletrónicos são:

  • Redução do fluxo sanguíneo
  • Promove a recessão gengival devido à falta de nutrientes e oxigenação
  • Periodontite.
  • Halitose
  • Xerostomia ou boca seca
  • Má cicatrização de feridas orais
  • Alterações no pH da boca Também está relacionado com a alteração da saliva.
  • Cáries
  • Cancro oral

Outro dos mitos comuns que rodeiam os cigarros eletrónicos é que ajudam a conseguir deixar de fumar os cigarros convencionais. Não existe qualquer prova científica desse facto e, além disso, trocar um vício por outro não é a melhor forma de proteger a sua saúde física e mental.

Se é fumador, é essencial que faça consultas regulares de Medicina Dentária. Estas consultas não evitam os malefícios do tabaco, mas ajudam a melhorar a higiene oral e a detetar antecipadamente problemas dentários e gengivais que possam surgir.


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